Sábado, 31 de Outubro de 2009

As cores da vida

 

 

Que cor usar?
Laranja ? Talvez... o laranja transmitia alegria, amizade, sensações quentes...
Ou amarelo? Amarelo... amarelo era luz, amanhecer.... uma vida nova.... sim, também seria apropriado, sem dúvida.
Teria que ser uma cor clara, uma cor alegre.
Sentia-se alegre, transbordava de alegria. As cores escuras, apesar das magníficas tonalidades... não encaixariam nela... pelo menos naquele dia, naquele dia especial.
E o violeta?
Ai, como era delicado aquele tom de violeta... mas assim, como escolher, como resistir à tentação de utilizar todas as cores e principalmente... como adivinhar a cor que ele iria utilizar?
Sentou-se de novo, a palete de pequenos frascos de vidros transbordando cor, bem à sua frente, seduzindo-lhe o olhar.
Ai, ai, ai... como escolher, como escolher?
 
Ele dissera-lhe: - Sabes que não posso levar comigo plantas no avião, não sabes? Por isso, far-te-ei uma surpresa.... levarei uma flor de papel, que eu mesmo pintarei.... e nem te direi a cor, terás que a tentar adivinhar...
 
Finalmente.... decidiu-se. Atacou na folha de papel que escolhera e no pequeno pincel e, com extremo cuidado, meteu mãos à obra.
 
Pouco depois, na sala de desembarque do aeroporto, ali estava ela, nervosa, segurando com as duas mãos a sua pequena surpresa.
Ele, o seu “ele”... voltara.... e voltara de vez, voltara para não mais partir. Iriam terminar os infinitos tempos de espera, as cartas solitárias de amor e saudade, os telefonemas ansiosos, as mensagens minúsculas, o contar dos segundos, dos minutos, dos dias em falta. Tudo isso iria terminar.
Só precisava de conseguir conter a ansiedade.... uns minutos mais.
 
Viu-o.
Lá ao longe, furando por entre a multidão, arrastando a pequena mala laranja, rodopiando por entre os outros passageiros, à procura da saída. Trazia algo na mão, dificil de perceber aquela distância. Mas... ela sabia o que era, sembre soubera.
Transpôs a porta envidraçada, os olhos à procura dela.
Ela permaneceu imóvel, ao fundo da passagem, segurando bem junto ao peito a sua pequena pintura. Já percebera a surpresa dele... uma tulipa amarela, de um amarelo garrido que arrancava sorrisos complacentes com quem se cruzava.
O amor é ridiculo, diriam os mais circunspectos.
Ele dirigiu-se a ela, sorrindo com o prazer inigualável do reencontro, o reencontro tão aguardado.
 
- Sempre escolheste... o amarelo – murmurou ele.
 
Ele ergueu um pouco mais o desenho, uma folha branca com um sol risonho colorido de amarelo e laranja, envolto de raios alegres.
Por baixo, escrevera simplesmente: “ És o meu Sol”
 
Ficaram a a olhar um para o outro, antes do abraço, antes do beijo, antes de tudo. A olhar simplesmente... cada um pensando para si mesmo como a vida era estranha, como o futuro era imprevisivel, como as coisas por vezes acontecem, sem aviso prévio, sem hora marcada, sem receita.
Acontecendo, simplesmente.
 
- Cheguei.... – disse ele, num fio de voz.
Ela pestanejou ao de leve, numa concordância sem palavras.
- Eu sei, amor... vamos para casa?
 

 

publicado por entremares às 22:25
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32 comentários:
De mfc a 1 de Novembro de 2009 às 15:07
As coisas simples que na verdade importam...
De entremares a 2 de Novembro de 2009 às 09:53
Olá, mfc

As coisas simples - como tens razão - são as que realmente importam...

Um grande abraço
Rolando
De Rosinda a 1 de Novembro de 2009 às 16:12
ESSA PALETA DE COR E AMOR ALEGROU O DIA CINZENTO E CHUVOSO! BELO TEXTO, BELA HISTÓRIA DE REENCONTRO...
SAUDAÇÕES
De entremares a 2 de Novembro de 2009 às 09:55
Oi, onix...

Os reencontros são mágicos, não são?
A palete de cores está lá, somos todas aquelas cores, às vezes uma, às vezes outra.

Naquele dia... ambos eram amarelos, como o sol...

Tudo de bom para ti...
Rolando
De Luísa a 1 de Novembro de 2009 às 18:56
É sempre tão bom quando no silêncio nos lêem as cores...É sinal de conhecimento para além da daquilo que se verbaliza!É sinal de um olhar de perto, que lê a alma e a interpreta em dias felizes e menos felizes.

Mais um belo conto, Rolando! Obrigada pela partilha e muito obrigada pela visita ao olhardeperto.É uma honra recebê-lo no meu humilde blog.
Quanto à sintonia sentida entre as minhas letras e a imagem do João, devo dizer-lhe que me sinto bem a escrever sobre elas. Como uma imagem vale mais que mil palavras, o mérito é todo do fotógrafo que nos revela das melhores imagens sobre o mundo e a vida...Eu apenas reflicto sobre elas.
Às vezes corre bem. Ainda bem que gostou.
Beijinho terno!
De entremares a 2 de Novembro de 2009 às 09:58
Olá Luisa...

Gosto muito de te receber, aqui à volta da fogueira. Todos os que por aqui vês são companheiros de andanças, bebemos café noite fora, trocamos histórias e comentários.... vamos sendo um grupo de amigos.

Repito, gostei muito como ilustras as cores do João, aquela coisa a que ele chama de fotografias.... mas que é muito mais que isso.

Uma óptima semana para ti...
Rolando
De Lis a 1 de Novembro de 2009 às 19:05
Cenário sempre lindo quando os reencontros acontecem no aeroporto.Muita gente, aeronave descendo , coração na boca rsrs e aquele olhar fatal, chegou!!
E esa paleta de cores quentes! dá a ideia do que foram os dias pós-reencontro desse casal de namorados . É um filme que a gente já programa o final ... " És o meu Sol " , a brilhar independnte da meteorologia e das estaçoes trocadas! rs
Muitos abraços
De entremares a 2 de Novembro de 2009 às 09:59
Oi, Lis...

É verdade... no meio da multidão, quem espera só espera um rosto, um unico rosto, mesmo que sejam milhares os que por ali passam...

E finalmente, o reencontro acontece.
É a magia.

Beijos
Rolando
De Wania Victoria a 1 de Novembro de 2009 às 19:51
Oi, Rolando!

O Amor é um sentimento tão pleno que até nos faltam cores para descrevê-lo...
O amarelo não podeia ter sido melhor escolhido pelos dois, a cor da iluminação, e amor é isso, LUZ, Luz do sol, que ilumina, que aquece, que brilha!

Sempre é muito lindo te ler,
Bj grande pra ti,

Wania

PS: agradeço de coração as palavras carinhosas que escrevestes sobre o meu blog lá na Volta de Maré, da Selma. Sempre um vento soprando a favor...
Mais uma vez, obrigada!
De entremares a 2 de Novembro de 2009 às 10:02
Oi, Wania...

Primeiro que tudo, sem favor nenhum.... porque gosto mesmo do jeito musical que dás às palavras, creio que as sentes de uma forma peculiar.... e nem todas as pessoas escrevem assim.

Por algum motivo, todos somos unicos... não é?

E tens razão nas cores - para mim também, que melhor cor para o amor e para a felicidade, senão o amarelo?

Beijos.
Uma óptima semana para ti.
Rolando
De Paula Raposo a 2 de Novembro de 2009 às 11:32
O colorido do amor é sempre fascinante!
Beijos.

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