Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Dás-me a tua mão?

 

 

- Dás-me a tua mão?
 
Um pedido simples. Dito de forma simples, quase num murmúrio.
Ela estremeceu, como se o frio da noite tivesse descoberto subitamente um atalho para a alma.
Dar-lhe a mão?
Assim... tão de repente?
 
Caminhavam pela praia, já bem distantes do barzinho iluminado e dos sons do piano. A lua, semi encoberta por nuvens passageiras, iluminava-lhes os passos, deambulantes, ora tocando a espuma das ondas, ora afastando-se para o areal.
O silêncio, aqui e ali interrompido pelos gritos das aves nocturnas, era leve e molhado, saboroso. Ela sentiu que ele não esperava palavras, que lhe apreciava os silêncios, porque tudo fazia parte daquele quadro que nem ela ainda compreendia bem, porque tudo era confuso, dificil... e ao mesmo tempo delicioso.
Para onde caminhavam?
Em que mar findaria aquele rio de paixão em que ambos haviam mergulhado, pensando simplesmente... estar a salpicar o rosto de água fresca?
Não fora só o rosto.
A água do rio lavara-lhes o olhar de tristezas passadas, tratara-lhes as cicatrizes antigas de outras vidas, despertara em ambos sensações há muito esquecidas, amordaçadas no baú dos tempos antigos.
 
E agora... ali estavam eles, incrédulos e indecisos, rasgando medos, caminhando sózinhos na escuridão da noite como se tudo fosse a primeira vez – eles, ambos já vividos, repetidos, usados e abusados... como pessoas em segunda mão, procurando ainda um lugar ao sol.
 
Lá longe, a vida continuava. A dos outros e a deles próprios.
Ambos sabiam disso.
Tal como sabiam que os sonhos só tinham razão de existir.... para ser vividos.
E a medo... haviam chegado aquele ponto, o ponto onde ambos percebiam que iriam nadar juntos até à foz do rio.... fosse ela qual fosse.
 
- Dás-me a tua mão? – voltou ele a perguntar.
Dar-lhe a mão?
Sorriu.
 
- A mão...está bem... dou-te a mão. Também me queres o coração?

 

publicado por entremares às 14:24
link do post | comentar | favorito
25 comentários:
De entremares a 6 de Outubro de 2009 às 16:45
Oh, Libel...

Então não é verdade que a gente só encontra... quando deixa de procurar? Quando simplesmente colocamos a tal mensagem dentro da garrafa a dizer " Hey, estou aqui" e a atiramos ao mar?

Já atiraste a tua garrafa ao mar? Já?

Beijos.
Rolando
( Prometo que amanhã virá o sol. )
De libel a 6 de Outubro de 2009 às 17:06
ahahahhahh....se já atirei a minha garrafa ao mar??..Rolando, eu fiz do mar uma adega..ahahahah...as garrafas já eram tantas que tive que começar a rotular, não fosse criar alguns enganos a jovens pescadores....ehehheh....

Beijokas amigo

P.s. Cada vez estou mais exigente com os vinhos...

Comentar post

.mais sobre mim

.BlogGincana


.Fevereiro 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28

.posts recentes

. O unicórnio branco

. Nascer de novo

. Noites de lua nova

. Perguntas e Respostas

. Roby, o rei leão

. Onde mora o paraíso?

. Sinais

. Um novo destino

. O profeta

. Ele e Ela

. As doze badaladas

. O salto da alma nua

. O rei morreu... Viva o re...

. Blog Gincana - Novembro

. A dúvida humana

.

. João e o Mestre

. Aniversário

. E depois do adeus

. A pimenta do amor

. O que fazer?

. Sem título

. A mulher invisível

. A escolha dos anjos

. Os amantes

. A Dama do Outono

. Um pedido

. Simplesmente Eugénio

. Carmen Miranda

. A decisão

.arquivos

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

.links

.as minhas fotos

blogs SAPO

.subscrever feeds