Domingo, 28 de Junho de 2009

Homens, claro...

 

 

- Não era melhor parares... e perguntar a alguém?
- Claro que não. Recordo-me perfeitamente de passar por aqui...
- Mas eu não.
- Minha querida... mas eu tenho boa memória... e tu não, é só isso...
- Até parece... estás é cada vez mais modesto, não há dúvida...
 
- E então? Ainda tens a certeza de que estamos no caminho certo?
- Claro que tenho.
- Então poque não aparece aquela aldeia que acabámos de passar, aqui no mapa?
- Ora, sei lá porquê... provavelmente porque a aldeia é demasiado pequena para aparecer no mapa, ou porque o mapa está desactualizado... vais ver que não tarda nada, aparece a indicação da auto-estrada...
- Não estou lá muito confiante... e porque és tão teimoso? Não podias parar e perguntar a alguém?
- Nah... confia no meu sentido de orientação, está bem? E pára de te preocupares...
- Pois...
 
- João...
- Sim, querida?
- Estamos perdidos, não estamos?
- Perdidos? Claro que não. Podemos não ter visto alguma indicação, mas também não é importante. Mais uns quilómetros, entramos na auto-estrada e depois... é sempre em frente...
- Mas isso disseste tu há meia-hora atrás... e entretanto, está a anoitecer.
- Só mais um pouco de paciência, meu amor... tenho a certeza que, no máximo, mais uns 5 ou 6 quilómetros...
- Pois...
 
- Querida...
- Sim, João... finalmente vamos parar e perguntar a alguém o caminho ?
- Bem... talvez estejamos com um pequenino problema.... nada de grave...
- Estamos com um problema? Às dez da noite? Aqui no meio deste deserto, sem vivalma?
- Pois... talvez eu não tenha reparado na agulha...
- Na agulha? Qual agulha?
- A agulha do ponteiro da gasolina... acabou-se...
- Ficámos sem gasolina?
- ...
- João? Tu estás a dizer-me que estamos parados aqui no fim do mundo... sem gasolina?
- Pois... é isso...
 
- Maria... porque estás a descalçar-te?
- ...
- Maria... é de noite... onde pensas tu que vais? Maria !
- João Maria Assunção Fernandes... estás despedido. E para tua informação, eu vou-me embora.
- Vais-te embora? Mas vais-te embora para onde ? Estamos no campo !
- Não me interessa. Nem que eu vá a pé até casa... ou até pode ser que um extraterreste me rapte, quero lá saber... homens... é sempre a mesma coisa...
- Maria, vá lá... não sejas assim...
- Não me dirijas a palavra... já pareces o meu primeiro marido... a mesma teimosia, outra vez perdida no meio da estrada...
- O teu primeiro marido ? Não estou a perceber a comparação...
- Pois não. Porque és idiota. Porque és teimoso. Porque vocês, os homens, detestam pedir ajuda e acham sempre que descobrem tudo sózinhos... idiotas, idiotas, idiotas...
- Maria...
- E não me dirijas a palavra... oh, meu Deus, que mal fiz eu? Que triste sina é esta? Vou ter que passar uma noite inteira a caminhar, à procura de gasolina, como da outra vez? Serão todos os homens assim?
- Não compreendo, Maria...
- Idiota... apetece-me atirar-te com um sapato acima...
- Se isso te faz sentir melhor... atira... eu mereço.
- Nem penses... custaram-me os olhos da cara...
- Esses? Tu disseste que foram uma pechincha, que os compraste na feira...
- ...
- Maria...
- Cala-te... e vê se vais descobrir gasolina. Senão, perco o amor ao sapato e atiro-o mesmo...

 

publicado por entremares às 10:02
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