Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Um pedido

 

 

 

Pela varanda, podia ver o mar.

O mar... tantas e tantas vezes fonte de inspiração, de alento, refúgio seguro de uma praia deserta.

O silêncio reinava ainda, mal interrompido pela algazarra matinal dos pássaros. Olhou sobre o ombro, a porta do quarto entreaberta. Ela dormia.

Uma longa madeixa de cabelos ocultava-lhe os olhos, os braços e o corpo abandonados sobre os lençóis numa posição de entrega, voluptuosa, sedutora.

Ele, por tantas vezes poeta, não conseguia dar à luz naquele momento uma única estrofe, um único verso.

Sentia-se feliz, e não conseguia colocar sobre o papel essa mesma felicidade.

 

- Porque não voltas para aqui?

Olhou de novo. Ela fitava-o, meia sorriso, meia súplica.

- Julgava que ainda dormias... estava aqui a tentar escrever algo...

Ela remexeu-se sob os lençóis.

- Eu vi, quando me olhaste...

 

Pousou a folha de papel sobre o grande cadeirão, virado de frente para o mar.

- Ias oferecer-me um poema... pela manhã?

Ele aquiesceu, algo inconformado.

- Nem sempre a inspiração surge... quando queremos dizer algo... e hoje queria mesmo dizer-te algo...

- Algo importante?

Ele concordou de novo.

- Ia fazer-te uma pergunta... uma daquelas perguntas dificeis, com consequências para o futuro... um pedido...

Ela entreabriu os lençóis e a pele branca assomou à superfície.

 

- Vem... - disse finalmente - vem, e se quiseres, faz a pergunta, faz o pedido... mas se quiseres... até posso responder-te já...

- Podes? Se ainda nem imaginas o que te quero pedir...

 

Ela afastou os cabelos dos olhos e um sorriso de garota rebelde iluminou-lhe os olhos escuros.

 

- Sei sim, amor... sei sim. E a a resposta é... sim. Eu caso contigo, eu fico contigo, eu vou contigo até ao fim do mundo...

 

publicado por entremares às 10:46
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25 comentários:
De entremares a 26 de Novembro de 2009 às 00:30
Oi, Iris...

Pois... mas é verdade, quantas perguntas não se fazem também só com o olhar, sem necessitarem de uma única palavra?

E as respostas... como definir o sabor de adivinhar as respostas? Mel?

Beijos
Rolando
De Iris Barroso a 26 de Novembro de 2009 às 14:35
Oi,

É tudo muito romântico, mas dá lugar a tantos mal entendidos...

Mas apesar de dizer isso, também adoro adivinhar perguntas e responder sem ter que falar.

Também eu sou uma romântica incurável. Somente, nem todos entendem o meu conceito de romantismo.


Beijo

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