Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

O murmúrio do mar...

 

 

O mar chamava-a.
Um murmurio longinquo, abafado pelo rebentar das ondas, pronunciava o seu nome.
- Eva...
A imensidão azul afagou-lhe os pensamentos, soprou-lhe os cabelos e sussurrou-lhe poemas aos ouvidos.
Algures... num local distante, num local especial.... alguém a procurava com o olhar.
- Eva...
Inclinou o rosto e uma madeixa rebelde tombou-lhe sobre os olhos. Sentada na areia, deixou que a espuma lhe molhasse os pés, a ponta da saia violeta, as mãos.
Um dia... um dia venceria a distância.
 
Pegou na tesoura e desajeitadamente, cortou a madeixa dourada que lhe pendia sobre o rosto. Depois, como quem segura o coração nas mãos, fechou-a num pequeno frasco de vidro.
O mar não seria tão imenso assim... que a impedisse de se aconchegar nos seus braços, de lhe encontrar o rosto com as mãos, de lhe retribuir o murmúrio dos nomes, ao ouvido.
- Romeu...
 
Algures do outro lado do oceano, ele acabara de abrir o pequeno pacote castanho, pejado de selos. Um perfume adocicado soltou-se por entre as mãos, enquanto contemplava o pequeno frasco transparente, com o seu precioso recheio. Sorriu.
Segurou fervorosamente a pequena madeixa de cabelos dourados, com medo de despertar. Teve medo. Medo de os acariciar, tão perto e tão longe, teve medo de se deixar inebriar pelo seu aroma, que lhe tornava insuportável a ausência.
Pegou na tesoura e decidido, cortou uma longa madeixa de cabelos escuros. Juntou-os aos dela e voltou a colocá-los dentro do pequeno frasco transparente.
- Eva...
 
Muito longe dali, ela abriu os olhos.
Uma mão invisível acariciava-lhe o peito e o coração ... e ela sorriu.
Fechou os braços sobre si própria, com mais força ainda.
- Um dia... – murmurou - ... um dia... 

 

publicado por entremares às 12:47
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17 comentários:
De carlasofia a 9 de Setembro de 2009 às 13:50
Conheço esse sentimento.
beijinhos*
De entremares a 9 de Setembro de 2009 às 14:28
Oi, CarlaSofia...

Ainda bem que conheces. Só assim algumas histórias conseguem fazer sentido, não é?
Senão, seriam meras palavras bonitas.

Beijos.
Rolando
De lis a 9 de Setembro de 2009 às 14:28
O mar e seus ecos traz a voz de amores passados, de amigos distantes, dos barcos a voltar, da nossa casa ... essas vozes habitam dentro de nós , aqui, no coração.
Gosto do mar.. Essa uimensidão azul quase sempre me afoga, Rolando. rs
Adorei a poesia contida aqui. Que esse mar traga pacotes perfumados em suas ondas espumantes.
Grande abraço

P.S - Já antes fiz mençao ao livro a editar , perguntou : livro? sim, aquele que a gente corre pra comprar nas livrarias antes que acabe a edição, vou ficar na fila. Talvrez possa vir pelo oceano, autografado pelo poeta/ escritor rsrs
De Regina d'Ávila a 9 de Setembro de 2009 às 15:07
Lis,
Guarde um lugar para mim...também quero entrar nesta fila..ok?
E se você receber, via oceano, dentro de uma linda garrafa, empreste-me, certo??
Beijosssssss
De entremares a 9 de Setembro de 2009 às 15:22
Olá, Lis...

Eu também gosto do mar, muito. Do que vejo nele, do que ele representa para mim, do que me traz, do que eu desejo que ele me traga...

O livro? Ai, ai, ai... que eu já nem sei como responder a isto, vocês estão todos a deixar-me entre a espada e a parede...

Beijos
Rolando
De GISLENE a 9 de Setembro de 2009 às 14:50
OLÁ, ROLANDO
CHEIO DE SIMBOLISMO TEU TEXTO DE HOJE.
TRAZ AQUELA LIÇAO QUE NÃO IMPORTA A DISTÂNCIA, BARREIRAS, RUPTURAS, PASSAGENS...BASTA PENSARMOS E A PESSOA ESTARÁ CONOSCO. SENTIRÁ NOSSA PRESENÇA, FÍSICA OU NÃO.
ABRAÇO,
GISLENE.
De entremares a 9 de Setembro de 2009 às 15:36
Oi, Gislene

É verdade, a presença "sente-se"...
E as histórias às vezes são assim, falam daquela palavra chamada SAUDADE...

Beijos
Rolando
De Sara a 9 de Setembro de 2009 às 15:16
Saudades que eu tenho do mar... e que saudades tenho eu de ter saudades... isto é, eu tenho saudades e muitas! Tenho é saudades de ter saudades correspondidas e de as "matar" num abraço apertado!...

Beijinhos
De entremares a 9 de Setembro de 2009 às 16:53
Oi Sara...

Saudades "correspondidas" ... num abraço apertado...
Ah... já colocaste a tua mensagem dentro da garrafa? Já a lançaste ao mar?

Só assim poderá ser apanhada ... e lida...

Beijos
Rolando
De Regina d'Ávila a 9 de Setembro de 2009 às 15:31
Grave..
Perigoso...
E se este lindo sentimento se transformar em amor?
Seu tão sonhado e esperado amor verdadeiro? O qual desejou a vida inteira...
Se este desejo virar esperança?
E se nunca se encontrarem?
Emocionei-me só em pensar...Fica um gosto de “medo de desengano”..Ou será, somente, medo de amar?
Estas histórias...são...apavorantes...ou...
Uffa!! Ainda bem que é só uma historinha...
Beijos,
Regina.
De entremares a 9 de Setembro de 2009 às 16:52
Oi, Regina...

Como tens razão, estas histórias são ... de final incerto. Mas afinal de contas, temos alguma coisa de certo? Faz-me sempre lembrar aquela frase famosa que dizia " Mais vale arrepender-me por não ter dadao certo, do que arrepender-me por não ter tentado".

A vida é tão curta...

Beijos
Rolando
De julieta barbosa a 9 de Setembro de 2009 às 17:48
Rolando,

Quando as palavras se escondem no silêncio, o corpo fala... E a linguagem dele é o arrepio da pele.
Hoje, estou sem palavras... Bjs
De entremares a 9 de Setembro de 2009 às 19:03
Amiga Julieta...

Há muitas maneiras de exprimir emoções, felizmente nem todas por palavras...

Beijos
Rolando
De Maria Emília a 9 de Setembro de 2009 às 23:18
Agora mesmo acabei de falar no gmail com o meu filho que está lá, do outro lado do mar, no Rio de Janeiro. Disse-me ele, tenho tantas saudades, não vejo a hora de vos abraçar. Disse-lhe eu para amenizar, a saudade é uma situação psicológica. O importante é estarmos os dois aqui Agora e podermos falar da nossa saudade.
Um grande beijinho,
Maria Emília
De entremares a 10 de Setembro de 2009 às 09:27
Ah, Maria Emilia... as saudades.

No teu caso, ainda bem que existem todas estas novas tecnologias, sempre nos permite aproximar um pouco mais, não é?

E sabe sempre bem, estar assim mais perto.

Um beijo
Rolando
De neli araujo a 10 de Setembro de 2009 às 01:15
Óh, Rolando!
Me puseste a suspirar, amigo!

Que conto mais lindo, mais sentido!
Muito mais poético do que muitos poemas que já li pelo caminho...

Uma beijoca,

Neli
De Paula Raposo a 10 de Setembro de 2009 às 02:21
Gostei muito de te ler, como sempre!!
Mas um dia, desculpa, um dia...não existe. Beijos.

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